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A estrutura urbana

Tongobriga

A estrutura urbana

Em locais de acidentada topografia e, especialmente nos sítios com densa ocupação anterior, deveriam ser imensas as dificuldades que se punham à aplicação prática dos princípios ideais definidos por Vitrúvio no seu tratado “De Architectura”.

Para além da escassez de arquitetos capazes de planear e executar tais planos, e da necessidade de uma administração local forte e culturalmente desenvolvida, capaz de a financiar e fiscalizar a sua implementação, há que pensar na formação dos operários necessários e na montagem de toda a logística necessária para as obras. Embora, a propósito destas últimas dificuldades, Jorge de Alarcão lembre que é mais difícil imaginar as populações autóctones a mudarem os seus hábitos mentais, culturais e sociais, passando a interessar-se pela frequência das termas, do teatro e do anfiteatro, do que as ver a aprender as técnicas necessárias para participarem, como mão-de-obra, na construção desses mesmos edifícios.

É de facto verdade que a construção de uma cidade, mais do que um mero “programa de obras públicas”, tinha que ser um “programa de educação social”.

Teremos ainda de contar com problemas de outra ordem. Além de ser preciso conceber a obra, era preciso acompanhar a sua execução e ter os meios necessários para a sua integral implementação no terreno. Já Plínio, o Moço, se queixava de obras começadas pelas cidades sem que a sua conclusão estivesse assegurada. Aliud est dicere aliud est facere…

Seja qual for o processo social de criação de um novo urbanismo, como lembra Jorge de Alarcão a propósito de espaços que já eram densamente habitados, “a expropriação e as demolições tinham, naturalmente, os seus limites” se se queria manter o substrato populacional que dava vida ao lugar.

A verdade é que Tongobriga terá sido, efetivamente, objeto de um plano de profundo reordenamento urbano. Charles Rocha verificou que todos os vestígios de estruturas romanas, quer dos edifícios públicos, quer de habitações e até a própria topografia do terreno têm a mesma orientação, “uma tendência direccional que ronda os 24º em relação ao eixo E/O – N/S, o que corresponde aos preceitos de Vitrúvio”. Esse planeamento abrangeu não só o espaço amuralhado e habitado como também a área extramuros onde se implantaram os edifícios públicos.

Desse planeamento, resultou a implantação de uma malha urbana que abrangeu cerca de 13 hectares de área amuralhada e habitada, acrescidos do espaço onde se implantaram os edifícios públicos e monumentais (forum, termas, teatro e anfiteatro), num total que ultrapassa os 20 hectares. Essa malha baseia a sua modulação em unidades de medida romanas como o actus (35,52m) e o actus quadratus (1261,44m2), confirmando as proporções vitruvianas do planeamento de que Tongobriga terá sido alvo a partir de finais do século I d.C..

Em síntese, têm sido realçados todos os aspetos em que se evidencia, a par da complexidade e da monumentalidade, a estandardização do modo romano de planear e executar o urbanismo enquanto reflexo de uma mudança profunda no modelo de vida do habitante de Tongobriga.