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Enquadramento político-administrativo

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Enquadramento político-administrativo

A região da Callaecia, onde Tongobriga se insere, só foi promovida à categoria de província com a reforma de Diocleciano, nos finais do século III. Antes disso, toda esta região a Norte do rio Douro terá sido, segundo alguns autores, inicialmente integrada na Lusitania (com capital em Emerita Augusta, hoje Mérida) para mais tarde passar a fazer parte da Hispania Citerior Tarraconensis – ou, simplesmente, Tarraconense – com sede em Tarraco, hoje Tarragona.

Segundo Jorge de Alarcão, a integração de Tongobriga e de toda a região a Norte do Douro na Tarraconense ter-se-ia dado logo aquando da reforma administrativa que conduziu à criação dessa província, juntamente com a Bética e a Lusitânia, entre 16 e 13 a.C.. No tempo da dinastia flaviana (de 69 a 96 d.C.), a divisão tripartida da Península Ibérica em Bética, Lusitania e Tarraconense, bem como a integração de Tongobriga nesta última, estavam já perfeitamente consolidadas.

Igualmente já consolidada no tempo dos Flávios, estava a divisão provincial em conventus jurídicos, instituída no tempo de Augusto. Situada a Norte do rio Douro, Tongobriga estava integrada no conventus bracaraugustanus, com sede em Bracara Augusta. Quanto à divisão do conventus bracaraugustanus em civitates, poderá não ser atribuível a Augusto nem a nenhum dos seus sucessores da dinastia júlio-claudiana, mas apenas à dinastia seguinte, a dos Flávios, coincidindo essa organização do território com as profundas mudanças que o Noroeste peninsular revela ter sofrido no último terço do século I d.C..

Tongobriga assiste então a um crescimento exponencial do investimento construtivo. No período da dinastia flávia – muito provavelmente durante o reinado dos imperadores Tito e/ou Domiciano, Tongobriga foi alvo de um projeto de transformação urbana, delineado por arquitetos e engenheiros que não tinham, claramente, origem autóctone, e que eram profundos conhecedores dos princípios vitruvianos de arquitetura.

A investigação já realizada sobre esta transformação de Tongobriga durante o último quartel do século I e primeiras décadas do século II tem valorizado a sua integração no desenvolvimento da administração imperial flaviana e no quadro de um movimento muito mais amplo de construção de cidades no vale do Douro e em toda a Meseta Norte, compreensível à luz da iniciativa imperial de reordenamento territorial e de consolidação da sua rede administrativa.

Províncias e Conventus da Hispania romana (JMA)No caso de Tongobriga, não resta dúvida que as obras públicas e a renovação urbana que foram delineadas requeriam conhecimentos, capacidades e meios técnicos e instrumentais que não estavam ao alcance da população local.

Esse programa implicou a intervenção direta, no terreno, de um conjunto de arquitetos e engenheiros de elite, não só na fase de planeamento como também na de execução. Mas falta ainda perceber quem terá promovido a sua intervenção em Tongobriga. Quem terá custeado os elevadíssimos encargos que essa intervenção acarretou? Apenas o erário público, disponibilizado pela administração provincial? Ou, na perspetiva já colocada, de Tongobriga já desempenhar um papel de “lugar central” desde, pelo menos, os inícios da era cristã, haveria já elites indígenas locais, patrocinadas pela administração romana, ou até mesmo abastados proprietários locais, de origem autóctone, capazes de participar ativamente na promoção do programa de renovação urbana a que aqui assistimos no último terço da primeira centúria?