Horário: De terça a domingo. Das 09h00 às 17h30.

Rua António Correia de Vasconcelos, 51

4630-095 Marco de Canaveses

Outros edifícios públicos monumentais

Recriação Histórica

Os outros edifícios públicos monumentais

Na sequência da promoção de Tongobriga a capital de civitas, o período correspondente à dinastia dos Antoninos seria marcado por fortes investimentos que se traduzem em vários edifícios monumentais, nomeadamente o forum, o teatro, o anfiteatro e o circo.

Relativamente ao circo, nunca intervencionado, Lino Tavares Dias situa-o fora do perímetro urbano e “no limite da centúria da cidade”. Já no que diz respeito ao forum, ao teatro e ao anfiteatro, está apontada a sua inserção na malha urbana.

Na sequência dos trabalhos desenvolvidos em parceria com Charles Rocha e Pedro Alarcão, o forum é assim descrito por Lino Tavares Dias: “seria um espaço afirmado e envolvido por quatro pórticos, cada um com três colunatas. O corpo central do forum dividia-se em dois espaços: o espaço da praça com 1 actus de largura e 1,5 actus de comprimento, e o espaço do templo. (…) O templo inscrevia-se num rectângulo de 11,84 metros por 23,68 metros, correspondendo à proporção de oito por dezasseis passus. (…). A frontaria do templo tinha a largura de oito passus e foi possível identificar a inserção das escadas que teriam a largura de quatro passus, 5,92 metros”.

Este forum estaria enquadrado por um novo recinto amuralhado que ampliaria o espaço urbano de Tongobriga, dos pouco mais de 13 hectares iniciais para cerca de 22 hectares. Retomando uma hipótese já aventada por Lino Tavares Dias em 1997, as publicações mais recentes adiantam a ideia de o espaço central do forum ser rematado, a nascente, pelo edifício da basilica, indispensável ao exercício das novas funções desempenhadas por este centro urbano.

Uma rua, diagonal, terá passado a cruzar o lado poente da cidade, fazendo a ligação entre as áreas de maior densidade de construção doméstica, a cotas mais elevadas, e a área onde se localizaram o forum e restantes edifícios públicos monumentais. Esta rua daria acesso ao forum através de uma abertura no seu muro perimetral Norte.

Do lado oposto da praça, isto é, da parte Sul, existe uma plataforma elevada, acessível através de três lanços de escadas. Essa plataforma de 8,9 metros de largura e a toda a extensão do eixo maior da praça foi, desde a sua primeira publicação, interpretada como espaço comercial, porticado, com colunas espaçadas 4,4 metros (3 passus = 15 pes) entre si.

A constatação de que a praça (a uma cota mais baixa) e a plataforma dita “comercial” (a uma cota superior) e as respetivas colunatas não são compatíveis, enquanto parte integrante de um mesmo projeto de arquitetura, fez com que os autores que temos vindo a seguir levantassem a possibilidade de apenas a plataforma Sul ser datável de Trajano/Adriano, remetendo a construção da praça para um momento anterior.

Quanto ao teatro e anfiteatro, também eles estarão enquadrados na grelha ortogonal já referida, a qual regulará também o ordenamento das habitações. Ocuparão, cada um, 9 unidades de actus quadratus (3 x 3) enquanto o forum se enquadra em 12 unidades (3 x 4). A distância a eixo entre cada uma destas edificações é também regular, e está estimada em 3 actus = 360 pes. Cada uma delas tem 2 actus de largura e o espaço livre entre elas é de 1 actus.

Pelo que se depreende da reconstituição proposta pelos autores já referidos, os arquitetos que planearam esta “revolução urbana” em Tongobriga inspiraram-se em vários modelos: o que se conhece da modulação urbana e de edifícios como o teatro apontam para o modelo de Bracara Augusta; já a implantação e a relação espacial entre teatro e anfiteatro têm paralelos muito semelhantes em Emerita Augusta.